terça-feira, 9 de julho de 2013

A Prece...


A prece maior é ser generoso com o vizinho. É estampar um sorriso no rosto. É falar a verdade toda vida. É ser caridoso. É ser fiel com os amigos. É estar do lado do bem. É cantar pruma criança dormir. É brincar com elas numa tarde grande. É saber que Deus mora em cada pequena coisa com toda sua grandiosidade. É espalhar amor em doses de chuvaradas por aí.

A prece maior se encontra num abraço, numa conversa jogada fora num dia de domingo. Numa palavra que salva, que enriquece, que abençoa. Num conselho que transforma a vida de alguém. Num olhar carinhoso. Numa mão que ampara, que acolhe, que semeia.

A prece maior se encontra onde há esperança, onde mora a palavra AMOR. A prece maior se encontra onde há recomeços, onde há dias recheados de paciência e tolerância. Onde há uma história comprida com gente bonita morando dentro. A prece maior se encontra no que não se acaba, no que permanece, apesar dos pesares todos.

A prece maior é ser feliz por nada. É agradecer por tão pouco. É amar até quem não nos ama. É respeitar os limites, os medos, as diferenças. É perdoar as ofensas, os erros, os espinhos. É ter os olhos voltados para o sol. É ter o coração tranquilo. É levar uma semente de esperança onde a flor da vida já secou faz tempo.

A prece maior a gente não faz ajoelhado, a gente faz é sorrindo...

(Cris Carvalho)

domingo, 30 de junho de 2013

Mastectomia



Já tinha um tempo que eu vinha ensaiando abrir este blog com intenção de poder dividir experiências, dificuldades e trocar informações e dúvidas com outras mulheres que estejam passando pela mesma situação que eu. Também dar notícias aos amigos e contar meu dia a dia, pois, nem sempre podemos estar nos falando e sei que dessa forma, posso unir o útil ao agradável. Além de tudo, é uma maneira de me distrair e ocupar a cabeça quando nada mais houver para pensar...

Existem já alguns textos que eu havia escrito em postagens anteriores então, nada aqui está muito organizado, mas ao final o objetivo será alcançado.

Até aqui tinha a sensação de estar meio que flutuando, viajando como uma turista no meu próprio drama, talvez acreditando que tudo passaria tão rápido que não valeria a pena publicar passagens dessa fase de minha vida. No entanto, nessa ultima quinta feira, dia 26, a ficha despencou de vez!

Amanhã sigo para o INCA no Rio de janeiro para iniciar os procedimentos pré-cirúrgicos e na Quinta feira, dia 4, farei a mastectomia da mama direita. A princípio não há possibilidade de reconstrução imediata da mama e não é fácil digerir o impacto dessa notícia. Contudo, minha preocupação maior no momento é a investigação durante a cirurgia do linfonodo sentinela (outra hora explico sobre isso), este sim, é que vai determinar meu prognóstico (segundo as estatísticas) e determinar o tratamento que terei de seguir após a cirurgia... 

Estou confiante...

Bjus!

Carpe Diem!




“Tu ne quaesieris, scire nefas, quem mihi, quem tibi finem di dederint.
Leuconoe, nec Babylonios
temptaris numeros.
Ut melius, quidquid erit, pati.
Seu pluris hiemes seu tribuit Iuppiter ultimam, quae nunc oppositis debilitat pumicibus mare.
Tyrrhenum: sapias, vina liques et spatio brevi spem longam reseces.
dum loquimur, fugerit invida.

"Não perguntes a mim, a ti, que fim terão teus dias,
Nem indagues os tempos do Oriente. Terrível é o saber.
Melhor aceitar o destino. Quer Júpiter ainda nos conceda outro inverno, quer este seja o último que agora se desgasta e é suficiente para paralisar os opostos do mar.
Mas seja prudente. Filtra o vinho! Enquanto falamos a odiar-nos, já se foi o tempo.

Carpe diem quam minimum credula postero."

Aproveite o dia! confiando pouco no amanhã!”.

Santa Águeda e Minha Espiritualidade



"Santa padroeira do combate contra o Câncer de Mama"

Águeda ficou conhecida tanto pelo seu nome Águeda, como por Ágata. Águeda quer dizer "Boa".

Hoje é a padroeira da mastologia e das pacientes que sofrem de câncer mamário. Seu dia, 5 de Fevereiro, é tido como o dia da mamografia. 

Segundo o que se conta, Santa Águeda (a santa boa) foi entregue a uma mulher de má conduta para desviá-la de Deus. Como mantivesse a ‘firmeza da fé, foi submetida a cruéis torturas: desconjuntamento dos ossos, mutilação dos seios. Foi arrastada sobre cacos de vidros, carvões em brasa.

Santa Águeda não gritou, não chorou e rezou durante todo o tempo do martírio em devoção a São Pedro Apóstolo, até que os soldados, em um gesto extremado, amputaram seus seios, arrancando-os.

Quem me conhece sabe que sou filha de portugueses e meus pais escolheram meu nome em homenagem a Santa Águeda. Essa santa é figurada com um vaso numa mão, cheia de seios cortados, e na outra com uma faca ou um par de tenazes. Portugal tem uma cidade com o seu nome e lá ela tem grande número de devotos.

Minha espiritualidade transcorre por vários caminhos. Apesar de ter sido criada nos preceitos da religião católica, a vida muitas vezes me colocou fazendo questionamentos. Hoje, me sinto tranquila, figuro entre aqueles que acreditam na existência de um ser maior sempre a meu lado, me protegendo, mas sou distante dos rituais ou dogmas. Sempre me achei e ainda me considero uma pessoa privilegiada em todos os sentidos. Mantenho a postura de sempre seguir minha consciência, porque que se Deus existe, ele faz parte dela. Deus é presente no amor que sinto, no bem que pratico ao meu semelhante e dentro de minha alma não existe espaço para o mal, culpas ou ressentimentos. Esse é meu lema, essa é a minha crença! e por desígnios ou mera coincidência esse é meu nome: Águeda! Por esse motivo tão coincidente do nome da santa e por ser a protetora das mulheres com esse câncer foi que achei interessante fazer essa postagem sobre essa santa.

Oração:

"Ó gloriosa virgem mártir Santa Águeda, que para não trair a fé em Jesus Cristo preferiste ter os seios arrancados no martírio e miraculosamente curados na prisão, olhai por vossas filhas que cheias de confiança, se dirigem a vós. Vós soubestes conservar-vos íntegra diante de Deus. Liberta-nos da tentação de trocar nossa fé por valores passageiros que nos afastam de Deus. Jovem que fostes, livrai nossos jovens das drogas, do consumismo, da prostituição e de todo tipo de exploração e como disseste ao vosso torturador: "Não te envergonhas de mutilar na mulher o tua mãe te deu para dele tirares o alimento?"  Livrai-nos de todos os males da mama para que a cada dia vivendo como verdadeiras cristãs, possamos dizer convosco: Tenho na minha alma os seios íntegros com os quais nutro todos os meus sentidos que desde a infância consagrei a Cristo Jesus. Amém. Reze um Pai Nosso, uma Ave Maria e um Glória ao Pai."

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Os Quatro Fantasmas





"Leiga, totalmente leiga em psicanálise, é o que eu sou. Mas interessada como se dela dependesse minha sobrevivência. Para saciar essa minha curiosidade, costumo ler alguns livros sobre o assunto, e outro dia, envolvida por um texto instigante - acho que da Viviane Mosé, - me deparei com as quatro principais questões que assombram nossas vidas e que determinam nossa sanidade mental. São elas:


1) Sabemos que vamos morrer.
2) Somos livres para viver como desejamos.
3) Nossa solidão é intrínseca.
4) A vida não tem sentido.

Basicamente, isso. Nossas maiores angústias e dificuldades advêm da maneira como lidamos com nossa finitude, com nossa liberdade, com nossa solidão e com a gratuidade da vida. Sábio é aquele que, diante dessas quatro verdades, não se desespera. 


Realmente, não são questões fáceis. A consciência de que vamos morrer talvez seja a mais desestabilizadora, mas costumamos pensar nisso apenas quando há uma ameaça concreta: o diagnóstico de uma doença ou o avanço da idade. As outras perturbações são mais corriqueiras. Somos livres para escolher o que fazer de nossas vidas, e isso é amedrontador, pois coloca responsabilidade em nossas mãos. A solidão assusta, mas sabemos que há como conviver com ela: basta que a gente dê conteúdo à nossa existência, que tenhamos uma vontade incessante de aprender, de saber, de se autoconhecer. 

Quanto à gratuidade da vida, alguns resolvem com religião, outros com bom humor e humildade. O que estamos fazendo aqui? Estamos todos de passagem. Portanto, não aborreça os outros e nem a si próprio, trade de fazer o bem e de se divertir, que já é um grande projeto pessoal. Volto a destacar: bom humor e humildade são essenciais para ficarmos em paz. Os arrogantes são os que menos conseguem conviver com a finitude, a liberdade, com a solidão e com a falta de sentido da vida. Eles se julgam imortais, eles querem ditar as regras para os outros, eles recusam o silêncio e não vivem sem os aplausos e holofotes, dos quais são patéticos dependentes. A arrogância e a falta de humor conduzem muita gente a um sofrimento que poderia ser bastante minimizado: bastaria que eles tivessem mais tolerância diante das incertezas.

Tudo é incerto, a começar pelo dia e a hora da nossa morte. Incerto é o nosso destino, pois, por mais que façamos escolhas, elas só se mostrarão acertadas ou desastrosas lá adiante, na hora do balanço final. Incertos são nossos amores, e por isso é tão importante sentir-se bem mesmo estando só. Enfim, incerta é a vida e tudo o que ela comporta. Somos aprendizes, somos novatos, mas beneficiários de uma dádiva: nascemos. Tivemos a chance de existir. De se relacionar. De fazer tentativas. O sentido disso tudo? Fazer parte. Simplesmente fazer parte.

Muitos têm uma dificuldade tremenda em aceitar essa transitoriedade. Por isso a psicoterapia é tão benéfica. Ela estende a mão e ajuda a domar nosso medo. Só convivendo com esses quatro fantasmas - finitude, liberdade, solidão e falta de sentido da vida - é que conseguiremos atravessar os dias de forma mais alegre e desassombrada."


Martha Medeiros